segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Estudar na Austrália: parte III

Certo mano, pra finalizar a série, vou tentar amarrar os assuntos pendentes na forma de um FAQ, acho que fica mais fácil pro leitor. Na verdade, eu criei esse post com a ajuda do Leonardo Corona, um leitor que me procurou para saber mais sobre a vida entre os cangurus. "Valeu cara, espero que tenha te ajudado e que ainda possa ajudar muito mais pessoas interessadas.

-Meu visto é de estudante, permite trabalhar até 20 horas. Será que é muito difícil trabalhar um pouco mais que isso? Será que é difícil arranjar emprego?

Sim, é possível trabalhar mais que 20 horas, e não, não é difícil encontrar emprego. Acho que, se não todos, a maioria dos brazucas com vistos de 20 horas trabalha muito mais que isso, tem nego que tira até 1 barão por semana! É só você querer e estar disposto, basta procurar (não esperar cair do céu, nem ficar dependendo de contato de amigo, etc.) que você vai achar com certeza.

-Será que o pessoal lá é bem receptiva com relação à brasileiros? Vou me adaptar bem?

Pra ser bem sincero, acho que você vai acabar falando mais português em Sydney do que no Brasil. O que tem de brazuca aqui é impressionante. Vira e mexe você repara em alguém conversando em português no meio da rua, chega a ser cômico.

Sobre a receptividade, o australiano (de verdade, loiro, cáucaso, com sotaque arrastaaaaaado) costuma ser gentil e cordial. Digo isso porque é meio raro você encontrar um aussie mesmo. Em escala, acho que tem mais chinês, depois indiano, depois coreano, depois brasileiro...acho que australiano mesmo deve estar em 37º ou algo assim. Brincadeiras à parte, digamos que são ingleses numa ilha tropical.

-E em relação à moradia, como que é, será que é difícil achar casa? É muito caro? Tem diferença do centro e mais pro interior, tipo Bondi Beach?

Moradia é um papo meio sério, pelo menos foi um inferno pra mim. Aqui, os valores estão só subindo (mercado tá bem aquecido) e tem cada vez mais gente procurando por um lugarzinho para morar. Não sei qual é a sua idéia de moradia, mas se for algo barato, você encontra de tudo. Um pouco mais de informação sobre a burocracia, pode ser encontrada aqui (em inglês).

Em Bondi por ex., eu tenho uns camaradas morando por lá, racham uma casa legal com sala, cozinha, banheiro e 2 quartos por 600 doletas/semana. Moram em 4 pessoas, então não fica tão pesado assim.

E sim, dependendo do lugar que você vai, a diferença é gritante. Moro bem na divisa de North Sydney com Neutral Bay, e 400m adiante, pagaria cerca de 200 a 300 dólares a mais, por semana, pelo apartamento.

-O custo de vida é realmente caro?

O custo de vida aqui é caro sim, mas também você recebe em dólares e em qualidade. É aquela coisa, você paga pelo serviço e RECEBE o serviço, diferentemente do Brasil. Tipo, por ex., pra você ir de North Sydney (lugar onde moro) para Bondi Beach, ida e volta você gastaria cerca de 10 dólares. Mas, o serviço é bom e funciona. Pra mim pelo menos, vale a pena pagar. Outro exemplo, para fazer o mercado semanal, eu gasto sozinho de 30 a 40 dolares mais ou menos, dependendo do estoque. Dá para se gastar menos, mas também a qualidade cai bastante.

-Considerações finais:

Sobre a crise, não chegou a ME afetar diretamente ainda, mas imagino que esteja difícil para as pessoas que trabalham diretamente com a bolsa ou no mercado de crédito. Realmente, esse não foi um bom momento pro dólar ficar em alta. Essa desvalorização de outras moedas vai dificultar os planos de muita gente...principalmente dos aventureiros!

A qualidade de vida aqui é incomparável ao Brasil, digamos assim em termos de cidadania, limpeza e segurança. Acho que a saúde fica um pouco a desejar, gasta-se muito para o mínimo (teoricamente o SUS do Brasil é muito melhor, mas só teoricamente).

Acho que a dificuldade maior na hora da adaptação é a cultura mesmo. Não existe muito daquela camaraderie brasileira, pontualidade que chega a incomodar (as lojas aqui fecham geralmente às 5, literalmente param de te atender no fim do expediente), hábitos alimentares pra quem adora o arroz-feijão diário...etc., etc., acho que é bem natural ter esse tipo de contraste no começo.

É isso! Para mais dúvidas e respostas, por favor não deixem de comentar, eu sempre respondo quando possível. Quem sabe não vira um post também?!

Leia também:
Estudar na Austrália: parte I
Estudar na Auatrália: parte II
Continue lendo...

domingo, 16 de novembro de 2008

Diarréia Mental II

Na, na-...antes que me perguntem, não aconteceu nada demais, não fui viajar, não voltei ao Brasil ainda. Simplesmente tirei férias disso aqui, não agüentava mais minha retórica enfadonha.

Da qual, dia desses, tomado por uma vontade indescritível de torcer meus dedos até que falassem, saiu um texto meio doido...com vocês, diarréia mental.

Terça-feira, 10 de Julho de 2007

Estranhamente, muito se passou desde que escrevia eu textos para satisfação própria de uma necessidade descontinuada e incompreendida por mim mesmo. Simplesmente, por odiar minha própria retórica e por ser um péssimo contador de histórias e de seus derivados! Mas me deu hoje uma vontade sem vergonha de escrever! Não sei se isso vai durar, mas vai ser ruim enquanto durar.

Pensamentos? Muitos.

Não sei se vale a pena continuar a aprender o que eu não tenho certeza se vou usar, não sei se continuo a construir algo que vou destruir em menos tempo ainda. Bem à verdade, até arrisco a resposta, mas não aceito. O impossível é simples quando tantas variáveis cruzam seu caminho e te deixam vulnerável a ponto de achar que a sabedoria, às vezes, te faz perder tempo.

Por hoje, limito-me a este desabafo rápido e não prometo voltar. Quem sabe se escreverei de novo, quem nunca sabe.

Hoje, ao som incompreensível e lógico do jazz, balanço meus dedos numa tentativa desesperada de encontrar-me e subjetivar. Será que vai funcionar? Vejamos.

Sofro o grande e comum distúrbio do pensamento confuso, e para que possa redigir de maneira inteligível, tenho que me dedicar à elaboração e organização das idéias mais tempo do que gostaria. A vontade que tenho é escrever tudo que me vem à cabeça, uma diarréia mental (mesmo, porque não teria nada de útil no meio), mas ninguém entenderia! Desisto, dou a desculpa de que escrever é só para gente grande!

É interessante, pois gente grande que escreve e ama a atividade, define os pensamentos como algo subjetivo. Mas, por algum motivo do acaso, destino, kharma, alguém já conseguiu se agarrar em algum pensamento?

Eu já, quando pus na cabeça que quero me expressar novamente através destas falanges tortas, ouvindo uma cantora que mais engana do que canta, exatamente como eu nessa posição de “escrivinhador”: mais engano do que escrevo. Me agarrei à tal idéia que desconfiguro toda as regras da língua portuguesa sem me importar nem um pouco. Essa capacidade de se pendurar em uma idéia, faz do pensamento algo objetivo?

Brincando novamente com as palavras, pensamento e objetivos são elementos que todos possivelmente temos. Uns aos montes, outros mais ainda. Andar de bicicleta, soletrar a maior palavra alemã que existe de trás pra frente, pular sete ondinhas no ano novo, ganhar na mega-sena! Assim podemos afirmar que nossa vida é movida por objetivos a partir de pensamentos, certo?

E quando é que o objetivo vira sonho? Ou os objetivos são sonhos que são tangíveis? Dessa forma podemos afirmar que vivemos dormindo, pois nossa vida será um sonho, independentemente de ser alcançável ou não. Coisa que também não deixa de fazer sentido, pois é bonito viver, é bonito saber viver e não menos feia é a vida.

De mesma maneira, quem acorda, morre? Será que a realidade é tão cruel que só de tomarmos conhecimento dela, morremos? Será que o desgosto é tanto que a depressão nos derruba num só golpe?

Imagino que tal golpe deva ser desferido por realidade de gente grande pois o golpe de uma realidade pueril simplesmente nos faria voltar ao grande sono da vida, ou seja, sonhar de novo, o simples ato de dormir. Isso me faz lembrar de algo, uma cena, alguém cometendo suicídio e descobrindo que aquela realidade era...real. Ele não sabia se estava dormindo, entorpecido pela crueldade da realidade, vivia um sonho ruim. A diferença é que ele já era gente grande.

Enfim! Acho que não consegui me agarrar à nenhum pensamento e concluí-lo, tornando a leitura um pesadelo. É difícil continuar, sem saber se a vida é um sonho, ou o sonho que nos mantém vivos...bom, não importa, a única coisa que sei, é que vou usar o jazz mais vezes, quando não tiver o que escrever sobre gente grande.

Pois é, sem pé nem cabeça, mas taí. Promessa é promessa, não teria como eu fugir disso. Só espero que pelo menos eu volte com um pouco mais de compasso.

Cheers!
Continue lendo...