quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Diarréia Mental I

Estreando hoje a série "Diarréia Mental". Na verdade é só pra não ficar com a tag emo de "Assuntos de Diarinho".

Eu sou um blogófilo (acabei de inventar essa).
Blogofilia, s. f.:
do Inglês Blog, contração de Web e Log + do Grego phil, r. de philein, amar

estado psicológico que leva à leitura compulsiva de artigos em blogs.
Gosto de acompanhar os feeds dos mais variados blogs e sites, diariamente (atualmente 44 no total. Contudo não chego a ler todos, alguns como o digg, por exemplo, só leio quando quero descontrair). Não sei o que me dá, mas essa "satisfação" de você ler sobre um determinado assunto, no blog do escritor Fulano cujo estilo lhe agrada, motiva-me a sempre procurar por mais e mais feeds interessantes e com personalidade (tá, o digg foi um péssimo exemplo de escritor e personalidade. Mas de vez em quando você acha algo interessante por lá, oras!).

Dentre os campeões que eu SEMPRE faço questão de ler, está o Dinheirama, um site sobre economia e finanças, para leigos. Gosto do tipo de informação e da objetividade dos posts, muito embora, não poucas vezes, o mesmo assunto é "mastigado" inúmeras vezes, que pessoalmente me deixa com a sensação de ter lido algo que já me foi apresentado e eu já havia entendido. Mas sem Brahma drama, vale muito a leitura caso você se interesse por esse tipo de assunto.

Pois é, o ponto que eu quero alcançar é que este post, fez-me refletir sobre o que eu estou realmente construindo para meu futuro.

É claro que tudo isso aqui está valendo muito a pena, apesar de todas as lutas e desafios que se apresentam diariamente, sem serem convidados. Mas será que isso foi de facto a decisão certa para o momento?

Deixando de lado todo esse lance de experiência de vida, de aventura e focando-me pura e simplesmente no lado financeiro da questão, chego à conclusão de que não é uma atitude muito inteligente. Caso estivesse ficado no Brasil, provavelmente iria ter começado alguns projetos paralelos, aplicado na bolsa, quem sabe até já começar a juntar dinheiro num plano de previdência privado?

Aqui, eu simplesmente não tenho condições de pensar em nada disso. Se o meu objetivo fosse juntar dinheiro na Austrália, eu estaria nas fezes! Tudo bem que minha decisão, meu 覚悟 (kakugō - algo como "estar pronto, decidido"), justifica o lado ruim dessa jornada, mas novamente, financeiramente, a longo prazo, não compensa nem um pouco!

Isso me faz voltar à minha motivação de vir pra cá: dou graças a Deus por ter essa possibilidade de "gastar" 1 ano da minha vida fazendo esse tipo de "besteira". Gosto de dar a desculpa à mim mesmo que ainda sou jovem, que tenho a variável tempo ao meu lado, que ainda tenho a esperança de construir um futuro estável quando voltar.
Conrado Navarro escreveu:
Nem sempre é fácil parar e pensar no futuro mais distante, quase que completamente intangível. Afinal, hoje, muitos de nós tem uma vida completamente diferente daquela prestes a nos encontrar, especialmente depois do casamento, do surgimento dos filhos e de eventuais mudanças profissionais. A velocidade das mudanças aumentou bastante, mas a justificativa não é suficiente e nem deve ser usada como simples desculpa.
A verdade é que não existe uma resposta certa para o futuro que estou construindo e, qualquer que seja o resultado, tenho certeza de que meu copo sempre esteve meio cheio, que sempre fiz o meu melhor.
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domingo, 12 de outubro de 2008

Estudar na Austrália: parte II

Ok, dando continuidade à pequena série, vou tentar abordar agora como se faz a entrada do pedido de visto.

No artigo anterior, expliquei de uma forma simples que você precisa de uma escola para o visto de estudante e, que moradia é essencial, mas depende muito também do seu objetivo aqui. Mas relendo o post, acho que sem querer induzi a um pequeno erro que pode levar muita gente à ira...veja bem...

De posse da Letter of Offer, agora é necessário pagar o curso. Uma vez pago, a escola emitirá um comprovante (Certificate of Enrollment - COE) de que você pagou e está matriculado na escola, para o período estipulado. Atenção, verifique bem as datas, é necessário ter uma boa organização nesse aspecto para não bagunçar todos os seus planos. Guarde bem este documento, ele vai ser importante para você no futuro.

Apenas pagar TODA essa quantia, não garante que você consiga o visto. É fácil, pois é só lembrar que ainda existem a passagem a ser paga (ida e volta, geralmente) e o fato de que o consulado australiano, para seus próprios propósitos, pede que você GARANTA que você possui condição financeira o suficiente para aguentar o tranco, durante qualquer que seja o período pleiteado.

Digo isso pois o USD hoje fechou em R$ 2,31. O AUD tá um pouco mais barato, R$ 1,49, mas pelo menos a passagem é paga em USD. Coisas como o Visa TravelMoney (vou explicar mais adiante) também utilizam o USD como base, então é bom tomar muito cuidado com a educação financeira, caso contrário você vai pagar o curso e pode ter o visto negado (nunca ouvi falar, mas também não pago pra ver).

Escolha a data da viagem!

Cerrrrrrrrrto, mano! Agora que você já tem uma idéia de quando e onde serão suas aulas, você pode programar o vôo propriamente dito. Lembrando que, o visto é válido durante a extensão do curso + 1 mês, antes ou depois, teoricamente. Na prática, o visto é selado 1 dia antes do seu embarque - dá-lhe coração - com a validade de até 1 mês após o término das aulas. Por isso, não chegue 2 meses antes do seu curso começar, nem marque a passagem de volta 3 meses depois do fim do curso pois seiláoque pode acontecer.

Entrada no processo de petição do visto!

Com toda a documentação em mãos, agora é só pedir o visto propriamente dito. Quando fiz a minha petição, demorou cerca de 3 meses para ser emitido (em parte, a agência também teve um pouco de culpa, pois demoramos muito para recebermos respostas boas e convincentes), não sei como esse tipo de tramite está agora. De qualquer forma, listo alguns outros documentos adicionais que você precisa mandar:
  • cópia do passaporte;
  • exame médico com um profissional credenciado pela embaixada, com direito a carteira de vacinação internacional e chapa toráxica;
  • cópia de seguro-saúde internacional, válido na Austrália pelo tempo de estadia;
  • o COE da escola, cópia das passagens, etc., para comprovar a veracidade da informação;
  • comprovantes de renda que mostrem condições suficientes de suporte financeiro, caso algum imprevisto aconteça. Isso é meio complicado de se falar, pois gira em torno de 2k AUD/mês, mas geralmente podem ser apresentados extratos bancários de três meses precedentes à submissão em Brasília;
  • formulário XYZ preenchido, geralmente com a ajuda do agente e/ou despachante que supostamente é contratado para evitar a sua dor de cabeça (eu tive experiências ruins com relação a esses caras, mas não vou citar nomes nem empresas).
Tenho a impressão de estar esquecendo alguma coisa, mas não me lembro o que é. Caso consiga lembrar, informá-los-ei assim que possível, atualizando o post.

Garantindo seu cascalho internacional.

Não gosto muito de fazer propaganda sobre produtos de instituições financeiras, mas não tenho muita opção aqui. A forma mais indicada, pelo menos pra mim, foi o cartão do Visa TravelMoney, vulgo VTM. É aceito em uma quantidade enorme de países, fácil de usar, sem grandes complicações.

O cartão funciona da seguinte forma: você deposita créditos em reais na sua conta, que é como se você estivesse comprando USD na cotação do dia, dólar comercial + a taxa da casa de câmbio. Quando você utiliza o ATM (caixa eletrônico) para retirar/sacar/withdraw, SUPOSTAMENTE ele converte seus créditos de USD na moeda local. Aplicando na prática, com mil reais no Brasil hoje, compro menos de 433 USD de créditos na minha conta, que eu consigo depois sacar desse lado do mundo em AUD (que teoricamente são muito mais que 433 AUD, mas também pouco menos que 673 AUD). Estou frisando esse suposto pois, tenho uma leve impressão que ele não faz a última conversão do USD para AUD na hora da retirada, fazendo-me perder alguns dólares a mais, além da taxa de cerca de 4 dólares a cada operação de saque. Lembrando que com essa crise, agora é um péssimo momento para se fazer uso do cartão. [operador_de_telemarketing;mode:on]O Real não está valendo nada.[operador_de_telemarketing;mode:off] Infelizmente, não conheço outras alternativas, mas também não faço o uso freqüente do cartão.

Outro ponto positivo também é que ele funciona como um cartão de débito (embora ele é passado no crédito) que pode ser utilizado em qualquer lugar que tenha uma EFTPOS (sigla para a maquininha de cartão), sem cobrança nenhuma de taxa. Aqui o funcionamento é simples também: a compra é convertida em USD e debitada diretamente dos seus créditos.

Existe a possibilidade ainda de se utilizar de um cartão internacional do seu próprio banco, mandando a fatura diretamente pra casa da pessoa que ficará responsável pelo seu suporte financeiro. Contudo, não sei dizer se vale mais a pena que o VTM pois não fiz uso do mesmo para comparar.

Na próxima edição, vou tentar cobrir o restante e outros tipos de dúvidas gerais, como emprego, aceitação, custo de vida...

LEMBRANDO QUE, esta série é meramente de caráter informativo, pois os profissionais dessa área são os mais qualificados (nem sempre) para dar todo o suporte e apoio à dúvidas e processos gerais.

Leia também:
Estudar na Austrália: parte I
Estudar na Austrália: parte III
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sábado, 11 de outubro de 2008

Labour Day Australia

Na última segunda-feira, foi comemorado aqui em Sydney, o Labour Day (dia do trabalho).

Sem dúvida, australianos são autistas. Por que comemorar na primeira segunda de Outubro? Não consegui achar fontes históricas convincentes. E parece que não são todos os estados daqui que comemoram em Outubro, pois outras datas como: primeira segunda de Março, segunda segunda(!) de Março e primeira segunda de Maio, também são opções bizarras para outros estados. Continue lendo...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Da culinária australiana

Antes de continuar a série sobre o visto de estudante na Austrália, vou mostrar um pouco mais da comida daqui (acho que vou fazer a série, "O que a Austrália come?").

12 dólares a "maumita"...nada mau, hein?!

Na verdade essa foto é meio velha e eu sempre esquecia de fazer referência à culinária daqui utilizando-a. Pois é, chegou a hora, aí está: 6 camarões graúdos, 2 fatias de lima, 3 ostras, um pouco de salada, um molho pardo...só alegria. Como eu havia dito, não é um prato aussie ao extremo, mas foi válido para registrar a ocasião.

Quer mais informações sobre a culinária daqui? Só clicar na tag (marcador) aqui ou ali do lado!
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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Estudar na Austrália: parte I

Faz tempo, né?! Isso já está começando a se tornar um hábito ruim, postagens cada vez mais espaçadas. Não por falta de assunto, já que este espaço não está limitado apenas a assuntos referentes a essa vida de mochileiro, mas é que me dá uma preguiiiiiiça...acho que ando meio home sick ultimamente, a saudade está tentando libertar-se na forma de um berro sem som, mas que não encontra forças pois meus pulmões estão vazios. Putz, virei emo! Brincadeira gente, eu ainda valorizo meus culhões.

Deixando esse babbling de lado, vou tentar fazer uma série de textos explicando como se chega aqui na Austrália, processos com vistos, empregos, escolas e tudo mais. Afinal, já são mais de 6 meses!

Tomando por base a minha experiência, funciona da seguinte forma: você precisa ter um objetivo. Seja ele aprender inglês, seja ele trabalhar, ou até mesmo festar, bagunçar, "dar um tempo pra cabeça", isso ajuda muito a direcionar e definir seus planos. Eu, particularmente, vim pela a última opção e, pretendo voltar pro Brasil ano que vem.

Qualquer que seja o seu objetivo, você precisa informar o consulado australiano no Brasil quais são as suas maracutaias os seus planos na terra dos cangurus. Novamente, vou me basear na idéia do post, que é fornecer um visto de estudante para os marinheiros de primeira viagem.

Escolha uma escola!

Pois é, meio óbvio, mas para um visto de estudante você primeiro precisa decidir qual o curso e qual escola você vai freqüentar. Um curso básico de Business, por ex., "Certificate II in Business" na SBTA, gira em torno de 1200 doletas o semestre (cerca de 1920 reais na cotação de hoje). Escolas de inglês mesmo costumam ser mais caras, com cargas horárias maiores também.

Escolhido o curso, você agora precisa de uma "Letter of Offer" que, basicamente, é a escola se pronunciando interessada em te ter como aluno. Não é difícil consegui-la, de modo algum, é só tomar cuidado com o número de vagas, pois, por ex., na SBTA, as vagas já estão esgotadas até dezembro desse ano. A solicitação pode ser feita diretamente, ou com a ajuda de um agente especializado.

De posse da Letter of Offer, agora é necessário pagar o curso. Uma vez pago, a escola emitirá um comprovante (Certificate of Enrollment - COE) de que você pagou e está matriculado na escola, para o período estipulado. Atenção, verifique bem as datas, é necessário ter uma boa organização nesse aspecto para não bagunçar todos os seus planos. Guarde bem este documento, ele vai ser importante para você no futuro.

Escolha um lugar para morar!

Existem vários tipos de moradia disponíveis por aqui. Se você não conhece ninguém e tem coragem de sobra (sem frescurites), aconselho ficar em um hostel para backpackers. Cerca de 20 a 25 dólares a noite, é uma boa pedida até você encontrar algo melhor. Quem sabe você não encontra algum outro doido por lá também procurando por um lugar para ficar?

Caso a grana esteja sobrando, outra boa também é o home stay. São famílias que geralmente "acomodam" estrangeiros por um período pré-estipulado. As casas geralmente possuem algumas regras básicas de conduta, do tipo: não defecar na mesa de jantar, não cuspir no chão da sala, etc.. Brincadeiras à parte, mesmo sendo um pouco mais caro, não é 100% de garantia que você ficará numa boa, pois você pode pegar tanto uma família boa como quanto uma família ruim. Ah, isso vale para o hostel também, mas a vantagem é que você pode se mudar com mais facilidade de um hostel para outro, visto que os períodos estabelecidos costumam ser menores e mais baratos.

Em ambos os casos, é bom checar bem as datas para que não hajam desencontros de planos. Só para citar meu exemplo, agendei o hostel para desde o dia que cheguei até o indeterminado, até eu achar um outro lugar para morar. No meio tempo, já estava indo para a escola e procurando por empregos, mas isso é assunto para o próximo post.

Leia também:
Estudar na Austrália: parte II
Estudar na Austrália: parte III
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