domingo, 31 de agosto de 2008

Thredbo - parte III

Arregaçando as mangas e botando a mão na massa, continuemos essa epopéia sem poemas, aos trancos e barrancos.

Outro pequeno parênteses, atualizei o álbum de fotos online, fiquem à vontade para visitá-lo.

Weeeeeeeeee...
O terceiro dia foi igual no começo, mas mais agitado durante nossa atividade principal da ocasião.

Logo que chegamos à neve, já fomos nos aquecer no "morrinho mais baixo" de lá para podermos encarar o próximo nível de desafio. Infelizmente, algumas pessoas se machucaram e não puderam aproveitar o segundo dia esquiando também.

Terminado o aquecimento, pegamos o lift que nos levaria ao cume da montanha. Impressionante, como é alto! O percurso demorou cerca de 3 a 4x mais, numa velocidade que era pelo menos o dobro do EASY DOES IT. Muita ansiedade, muita adrenalina entorpecendo minha mente só de pensar no que nos aguardaria lá em cima. E não deu outra.

Com pistas e percursos mais variados que uma simples descida semi-reta, pegar aquele lift com certeza foi uma decisão boa. Talvez não a mais sábia, mas a que me rendeu boas memórias pra eu carregar sempre.

As pistas eram bem mais inclinadas, com muito mais curvas e mais obstáculos, mais pessoas em alta velocidade, mais adrenalina correndo no sangue.

Aconteceu que numa das rampas que fui tentar superar, acabei me separando sem querer do DS e do nix que me acompanhavam, um pouco relutantes. Imaginei que já estivessem retornado portanto comecei a procurar um caminho até à base da montanha. Quando me dei conta, estava descendo numa pista preta, quando eu não deveria ter saído nem da vermelha pra começo de conversa. A saber, as cores:
Vermelha: iniciantes
Azul: fácil
Verde: intermediário
Preta: avançado

E eu que achava que já tinha caído o suficiente no dia anterior. Não preciso descrever muito pra se ter uma noção da dificuldade da pista, só mencionar que eu cheguei praticamente sem fôlego e aliviado de ter chegado no fim da pista, vivo.

Assim foi: almoço, outra vez ao cume e finalizei com o EASY DOES IT para ter a falsa impressão de que aprendi pelo menos o básico.

Balanço geral:


Apaixonante. É uma atividade que eu quero continuar a fazer, sempre que possível. Gastei pouco mais de 600 doletas no FDS inteiro, mas ouso dizer que foram bem gastos. Meu corpo? Estou de molho até hoje, peguei uma dor de garganta também depois, mas feliz e repetiria se perguntado. A alma e a mente? Renovados e encorajados a enfrentar o frio da vida, pois sinto que não posso reclamar da minha situação, quando existem seres humanos em cenários bem piores, sorrindo.

Leia também:
Thredbo - parte I
Thredbo - parte II

PS: desculpa mas o texto ficou uma porcaria. Tô 1/2 gripado ainda, da ressaca da viagem...talvez depois eu o edite com mais calma.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Thredbo - parte II

Continuando a saga, tentarei descrever o segundo dia da viagem.

Mas antes disso, um pequeno parênteses: pra quem está pensando em praticar Snowboard, pára de pensar e vai logo! Vale muito, mas muito, a pena.

Café da manhã:


Gordo my ass. O café era O-B-E-S-O:
-ovo mexido;
-bacon;
-linguiça;
-torrada (só pra não fazer feio);
-um nugget de batata gigante que eu não sei o nome, frito;
-tomate cozido;
-feijão doce;
-cereais e leite;

Logo que vi, achei que seria pesado demais, contudo lembrei que seria frio e eu precisaria de grandes reservas energéticas, ajudando-me na conclusão - oh, what the hell!

Saímos da pousada pouco depois das 8, enfrentamos trânsito e chegamos ao local dos sonhos cerca de 1 hora depois.

A montanha:


Haveriam algumas aulas para iniciantes, mas já havíamos perdido a primeira turma. A segunda começaria em 1 hora mais ou menos e, realmente, não poderíamos ficar simplesmente coçando, sem nada para fazer. O engraçado é que tivemos muitas conclusões brilhantes durante o FDS inteiro e essa foi outra delas: vamos aprender a andar na raça!

Nossa primeira idéia de girico, foi de tentar subir no primeiro lift que avistamos, afinal de contas estava escrito EASY DOES IT, não podia ser tão difícil assim. Marchamos determinados a enfrentar a primeira grande descida da nossa vida, desengonçados, mal nos equilibrando sobre a prancha. Então, fomos abordados pelo instrutor que ficava à porta do elevador:
Instrutor: You guys goin'up?
Nós: ? Yeah, I think so...
Instrutor: Have you done it before?
Nós: No, not really...?
Instrutor: Then don't do it, you're gonna kill yourself!
Nós: ...!
Desanimados, entreolhamo-nos e contentamo-nos com a idéia de uma rampinha menor (que se mostrou estupidamente difícil, pra começo de conversa). Contudo, notamos a falta de alguém: nix, havia pulado o segurança e foi-se embora sozinho morro acima! "Tudo bem", pensamos, "ele anda de skate, deve saber se virar com facilidade", enquanto caminhávamos em direção ao pequeno morro.

Já alinhados na boca da descida, preparei-me ajeitando os equipamentos, respirei fundo e tentei me levantar. Sem sucesso, pois já tomei meu primeiro tombo logo ali. "Tudo bem, isso não foi nada, é só uma questão de equilíbrio" pensei. Levantei de novo, com cautela pra me equilibrar e, voilà, comecei a deslizar.

"Opa, legal, estou praticando isnouboardi! Mãe, olha pra mim! ... ... mas...como é que pára?!" Desespero. Acho que foi a única coisa que passou pela minha cabeça naqueles segundos que me separaram do primeiro grande tombo. E foi feio. Humilhante no mínimo. Eu acho que nunca agradeci tanto ao meu pai por ter me ensinado (ou tentado) judô durante 14 anos da minha vida, permitindo-me sair praticamente ileso daquelas quatro voltas que eu dei na neve. Orgulho ferido? Tudo bem, vamos lá de novo!

Tristemente, a situação se repetiu até o final da rampa (incríveis 50 metros ou algo assim, quase sem inclinação nenhuma). Entre tombos e rolamentos, percebi o mico que eu estava pagando, pois criancinhas de 5 anos passavam ao meu lado, deslizando na maior naturalidade, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Era possível perceber a indagação naqueles rostinhos pequenos, ao olhar pra nós, "que tio mais pateta!" ou "tio, precisa praticar mais!" ou "esse tio é engraçado demais!"...infelizmente na minha só martelava: "Mano que raiva..." (orgulho ferido2).

Repetimos essa idiotice algumas vezes, até reencontrarmos o nix, que já trazia a primeira seqüela da aventura: um beiço machucado, do EASY DOES IT.

O curso:


Depois de pelo menos umas 30 quedas de 360o/720o/1080o perfeitos, resolvemos procurar instruções, pois daquele jeito não ia. Acho que foi a única coisa mais sensata do dia, pois pelo menos aprendi a frear, evitando colisões e outros acidentes.

Aprendemos como se chamam as partes da prancha (que eu já esqueci a maioria), como nos equilibrar propriamente, ir pra frente, alternar entre nose e tail, e o mais importante, como parar. As curvas ficariam para a segunda aula, mas não a fizemos, por motiv...sem motivos.

Tivemos uma pequena pausa para o almoço, um hot-dog com batata-frita por 8 doletas e um similar ao Gatorade, o Powerade, por 4 e 50.

Animados, logo voltamos às quedas e já no fim do primeiro dia, o EASY DOES IT realmente começou a fazer mais jus ao nome. Não significa que já estávamos belos e formosos, fazendo manobras e curvas como pessoas decentes, mas pelo menos a quantidade de tombo por metro deslizado havia diminuído bastante.

Voltamos ao alojamento exaustos. Não parece, mas cansa muito, exige muito condicionamento físico, coisa que eu não sei o que é faz mais de 6 anos...Outra coisa que eu havia percebido só quando voltei ao alojamento, meu rosto estava todo queimado de sol e do frio!

Jantei, banhei e fui pra balada da pousada.

A balada:


Balada é balada: música alta, gente animada...só o preço das bebidas que não era muito simpático.
Cerveja (caneco): AUD 4.50
Whisky + Red Bull (copo): AUD 7.80
Tequila (dose): AUD 6.00

Mas as bebidas legais mesmo da noite foram os Ski-Shots e o Jägerbomb.

O primeiro, é um licor que eu acho que é Apple Schnapps servido em um pé de esqui, com pequenos furos para segurar 4 copos. E havia um desafio também! 4 pessoas deveriam tomar do mesmo esqui (cada um no seu copo, lógico), mas só as pessoas da ponta estavam permitidas a usar 1 das mãos! Então pensa: 2 mãos e 4 cabeças. O resultado é hilário. O licor? Ele é bem doce, lembra um pouco Amarula, melhor em minha opinião.

O segundo, era Red Bull com Jägermeister. Vou adicionar um vídeo depois para explicar melhor o que tinha de bom nesse drink. O gosto? Lembrava Bubbaloo, sabor tutti-frutti.

Fim de noite, capotei eram quase 2 da manhã, pra acordar novamente às 7 do dia seguinte...

[Continua...]

Leia também:
Thredbo - parte I
Thredbo - parte III
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Thredbo - parte I

Calma, vou explicar minha ausência e o motivo do título também.

Acontece que esse último fim de semana, fui ver neve! Brasileiro do mato, vi pela primeira vez na minha vida e acho que encontrei meu habitat natural. E pra contar toda a história, vou dividir tudo em algumas partes, facilitando a vida dos leitores.

Na verdade eu gostaria de ter postado antes, mas eu havia tirado o dia de ontem para dormir e hoje, meu gerente do GJ's me ligou de manhã desesperado para que eu fosse trabalhar. Sem mais embromações, vamos ao que interessa!

O pacote:


Primeiro de tudo, tivemos que marcar com uma agência daqui o pacote de fim-de-semana, com transporte, 2 desjejuns matinais, 1 jantar e acomodações. O preço? AUD 255.00 adiantados, bem gastos.

Marcada estava a viagem para o dia 22/08, partindo da Central Station, Bay 9 na Eddy Av., às 6 da tarde, chegando em Jindabyne (pequena vila com várias pousadas dedicadas somente ao turismo local) um pouco depois de meia-noite, resultando em aproximadamente 6 horas de busão.

Pois bem, sexta-feira, acordei e fiz minha mala. Pra quem tem dificuldades em fazer as malas, vai aí algumas perguntas que você pode fazer para facilitar a vida.

Fazendo a mala:

Roupas:
1. quantos dias ao todo? 2
2. vai sair à noite? sim
3. qual a previsão do tempo? neve

Banho:
1. quantos banhos vai tomar? 2
2. tem toalha no local? tinha, mas levei a minha
3. sua higiene básica está completa? Necessaire com sabonete, desodorante e escova de dentes, por ex.. sim

Pernoite:
1. tem cama? sim
2. lençol e afins? sim
3. é frio? muito

Com essas perguntinhas bestas, minha mala estava pronta em 15 minutos, com 3 blusas (por causa do frio e eu também as usaria para dormir, incluindo a que eu já usava), 2 calças (fora a que eu já estava usando), 2 camisetas, 2 cuecas, 2 meias e 1 manga-longa para sair. Levei toalha e higiene básica. Não precisei usar chinelos, pois era frio e sabia que não ficaria tanto tempo dentro do quarto assim pra precisar usá-los e, não levei roupa de cama, pois sabia que teria camas com cobertores por lá.

Voltando ao tópico, já fui trabalhar com as blusas que utilizaria para viajar e também levei minha mala para poder sair direto dali para a viagem.

Chegando o horário, estávamos lá, todos nós, preparados para "subinoonibus".

O busão:


Tinha gente do mundo inteiro por lá: brasileiros (reduntante), algumas pessoas de língua hispânica, asiáticos (redutante2) e alguns irlandeses que estavam alguns assentos atrás. Tinha um cachorro também viajando com a gente, muito bem-educado (Zephyr, Zepher, não sei, só sei que se pronunciava Zéfah) por sinal.

Aconchegados, o guia (muito bem-humorado, que também era o dono do cachorro) começou a fazer a integração e dar as orientações de como seria o esquema:
-em 10 minutos, pararíamos numa bottle shop para comprar alguns gorós;
-em 2 horas, pararíamos num Mac para jantar;
-em 4 horas, pararíamos para um banheiro;
-em 6 horas, chegaríamos na pousada.

Como eu tenho problemas com ônibus, já fui com a barriga cheia para evitar dores-de-cabeça/enjôos e nem comprei nada na bottle shop para não precisar ir ao banheiro durante a viagem. Sorte a minha, pois a tal agência realmente economizou no transporte, visto que o banheiro nada mais era que um funil (!) acoplado a uma mangueirinha (!!) que desembocava na porta da frente do busão (!!!).

Fora os irlandeses bêbados, a viagem fluiu normalmente, com música alta e muita conversa. Entre a segunda e terceira paradas, Matt (o guia) fez o check-in dos nomes e recolheu a parte restante do pacote. AUD 288.00 ao todo, distribuídos da seguinte forma:
Lift pass para 2 dias + aulas: 182.00
Equipamento de Snowboard para 2 dias: 65.00
Roupas de frio, inlcuindo a blusa, calças e luvas para 2 dias: 41.00

Deveríamos escolher dentre 2 opções de montanha, Thredbo e Perisher. Meu gerente tinha me indicado o segundo, mas no fim das contas o guia convenceu-nos de que era a mesma coisa (acho que ele ganhava comissão ou algo assim, pois só fazia mais propaganda da primeira, que também era mais barata) - que não fazia diferença quase nenhuma pra mim, pois nunca tinha visto neve nunca havia esquiado antes. Ah, antes de chegar também, ele entregou os tickets para o café-da-manhã do dia seguinte.

O local:


Chegando no local, que frio! Nevava, bem pouco, mas nevava. Fomos instruídos a pegar os equipamentos (no meu caso era as botas e a prancha de Snowboard) e as roupas (comprei um gorrinho do Chaves, AUD 35.00) antes das chaves dos quartos, pois não daria tempo no dia seguinte, visto que precisaríamos estar de pé antes das 7 pro café e prontos às 8, para ir para as montanhas.

O quartinho até que era legal. Aquecedores, 1 banheiro para 8 pessoas (5 guris e 3 gurias) e 7 camas. Rolou um pequeno stress na hora de dormir pois todos estavam de frescura para dividir a king-sized e eu, com minha paciência de Jó, resolvi dividí-la com o DS (calma Tatha, continuo hetero) pra acabar com aquele inferno logo. Gente fresca me irrita demais.

Fim do primeiro dia, terminei de tomar banho eram quase 3 da manhã pra cair no sono às 4 e pouco. O guri de cima, se mexia mais que o demônio, fazendo barulho. O DS roncava e o nix conversava em inglês enquanto dormia...sono leve é uma desgraça. Por sorte, ninguém peidava e não haviam sonâmbulos também, se não eu perderia a esportiva por completo.

E eu que achava que já havia passado frio na minha vida...

[Continua...]

Leia também:
Thredbo - parte II
Thredbo - parte III
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

C'est la vie

O ruim de se cair na rotina é isso: você pára de produzir conteúdo.

Atualmente, meu timesheet se encontra da seguinte forma:
4a a 6a, das 8 da manhã às 5 da tarde - Gloria Jean's Café
4a e 5a à noite - SBTA Business Certificate
Dias restantes - à mercê da agência

Na verdade nem é tão ruim assim, mas o problema é postar assuntos relevantes ao blog, ao contrário da tendência que venho percebendo ultimamente: mais e mais conteúdos off-topic.

Os eventos para os quais sou chamado nem são empolgantes, o mesmo vale para o GJ's. O curso? Nem se fala então...

Acho que preciso mudar o título deste espaço, colocar algo mais abrangente, pois de backpacker mesmo não tem tido muito movimento. Continue lendo...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dia de marmota

Fazia tempo que não tirava um dia pra ficar engruvinhado em casa, sem fazer absolutamente nada. Na verdade, dediquei-me a algumas tarefas housekeeping, como limpar meu quarto e lavar minhas roupas...mas no fundo, acabei não fazendo nada mesmo.

Às vezes é bom ter esse tipo de tempo pra ti mesmo, mesmo que dure o fim de semana inteiro (no meu caso foi o domingo e segunda-feira) para colocar o stress de todo o dia, alinhado com os níveis séricos de preguiça.

Li um pouco (Twilight - Stephenie Meyer), diverti-me no computador (Warcraft III: The Frozen Throne, só pra não perder o costume) e pretendo fazer mais algumas atividades mais leves, como pensar no rumo que vou tomar quando voltar ao Brasil.

Entre outras coisas, estou coçando para colocar minha mão num desses:

Muito legalzinho, na cor preta ou prata, que combinam com meu laptop.

O que me desanima é o preço, 300 doletas de investimento numa atividade que é considerada hobby por mim, e não, não está sobrando tanto dinheiro assim. Acho que com esse dinheiro eu consigo fazer um pequeno tour pela Austrália, experiência que não quebra e não precisa de suporte técnico.

Mas, também tenho noção de que uma mesa dessas, no Brasil, custa cerca de 1250 reáu (fonte: Submarino)! Fora que iria me ajudar muito em minhas edições de imagem, foto e desenho. Vejamos algumas especificações técnicas:
Área ativa: 21.59 cm x 13.46 cm (8.5" W x 5.3" D)
Sensibilidade à pressão: 512 Níveis
Resolução: 2,540 Linhas por Polegada
Sem dúvida é uma boa compra, mas minha dúvida é justamente guardar esse dinheirinho extra para viajar ou melhorar a qualidade de meus desenhos digitalizados. Odeio essa minha capacidade de sempre ficar em cima do muro!

Como sempre, vou esperar a banda tocar mais um pouco antes de adquirir um desses. Enquanto isso, fico só babando mesmo, pois artista de verdade nem precisa desse tipo de aparato.



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domingo, 17 de agosto de 2008

Cagando e...correndo?

Putz, hoje foi tenso...tinha que trabalhar no ANZ Stadium de novo, a partir das 4:00 p.m. até as 10:00 p.m..

Na verdade o trampo em si nem foi cabuloso, só um pouco cansativo. Já conhecia o lugar, meus superiores e o sistema, portanto só precisava seguir as regras e trabalhar direitinho.

Foi ontem que recebi a ligação (9:30 da manhã, acho que deve ser horário padrão, sei lá) pro shift de hoje. Liguei de volta para confirmar minha presença e meu check-in com o representante da agência, marcado para 3:30 p.m.. O problema é que hoje eu acordei 3:22...me lembro exatamente da minha primeira frase de hoje "Ah, shit..."

Saí correndo de casa, ligando pra agência pedindo desculpas pois iria me atrasar, pois o percurso demoraria cerca de 1 hora ou mais até o local. É longe!

No fim das contas, fiz o maldito check-in 4:40 e enfim...de resto foi tudo como o planejado. Servir pratos, receber os clientes, servir bebidas, recolher pratos e limpar o local.

Mesmo sendo um trabalho tedioso, da próxima vez vou deixar meu despertador ligado, só em caso de dúvida. Afinal, trabalho é trabalho, uma vez firmado o compromisso, iremos até o fim.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

I'm gone!

Burro sou eu, que achei que estaria livre do stress do trabalho por aqui, fugindo daquilo que era minha concepção da exploração da mão de obra.

Eu tinha planejado para fazer um post terça-feira passada, mas uma surpresa me acordou às 9 e meia da manhã. Pra não perder o costume, era a agência me pedindo que eu estivesse à noite num evento na Fox Studios, Hordern Pavilion (um dos estúdios da Fox daqui). Mas tudo bem, achei que terminaria cedo e que ainda teria pique para fazer minha reza aqui.

O evento era o aniversário de 50 anos da Mercedes-Benz Australia-Pacific, bem chiquetoso mesmo. Mas, já tava tudo errado na minha concepção...

Uma coisa que me irrita muito são pessoas que não se enxergam. Pessoas esnobes, fúteis, vazias de conteúdo (tá, algumas delas ali até tinham algo pra dizer, mas a grande maioria serviria bem de matéria-prima para obras), que sempre acham que são alguma coisa a mais do que o próprio cotovelo que as aliviam todos os dias, com aquele olhar ridículo de desdém, para com as pessoas que as serviam. Eu, particularmente, fico doido da vida quando olham assim pra mim, mas é pior ainda se é para uma terceira pessoa. Mas tudo bem, se eles enxergam a vida dessa forma, não há muito o que fazer, a não ser oferecer minha pena, pena de um zé-ninguém.

Camelei muito: primeiro porque eu estava designado para barista, mas me realocaram na hora para o floor, me deixando de backup para quaisquer imprevistos que aparecessem. O ruim de ficar de backup é que você não tem uma função/posição/mesa definida e, num evento daqueles, pega mal pro seu lado ficar coçando. Foi uma confusão do começo ao fim, nunca sabia qual era o supervisor que eu estava ajudando. Hora precisava arrumar as mesas, hora precisava completar os copos dos indivíduos, sempre sem rumo, pois os malas dos supervisores não se comunicavam, delegando tarefas à mim sem sequer saber se eu estava disponível ou não. Mas tudo bem, vamos lá, afinal não é nada muito complicado...

No fim do evento, terminamos 1 da manhã, carregando mesas (cheguei até a perder minha bandeija, mas o nix me ajudou a pegar outra), limpando o salão, etc. Mas tudo b...tudo bem é uma pinóia! Vai se ferrar, já tentou pegar busão no meio da madrugada numa cidade que você mal conhece, num frio de 10 graus Celsius, cansado, com fome, depois de servir uma pancada de socialites fúteis?! É de lascar!

Infernos, cheguei em casa 2:30 a.m., pra acordar hoje às 7. Imagina se eu estou feliz?

Calma, ainda tem mais. Hoje me ligaram novamente pra perguntar se eu estaria livre amanhã, a partir das 6 p.m.. É mole?! Até aceitei (não sei porquê), mas já mandei um e-mail me desculpando, dizendo que não poderei comparecer. Não vale o sacrifício, já fiz isso uma vez e não foi legal, o dia seguinte. Fora que ir pro trabalho me implicaria num monte de outras dores de cabeça, como: como entregar uma "prova" na escola, no mesmo bat-horário; como chegar no local do trabalho a tempo, SEM NENHUMA REFERÊNCIA NEM DETALHE DO LOCAL...

Mas é isso, vivendo e aprendendo. Felizmente acho que o dia de amanhã vai ser menos atribulado, assim espero.
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domingo, 10 de agosto de 2008

Feliz post 101!

Sei que não tem muito sentido comemorar meu post no 101 (estou 1 post atrasado), mas vai assim mesmo.

Na verdade, eu gostaria de aproveitar esse espaço, que não poderia ter vindo em melhor hora, para agradecer alguém muito especial para mim: pai!

Sei que deve ser meio "brega" e batido fazer esse tipo de homenagem, todo mundo deve fazer, ainda mais no dia dos Pais. Mas, vamos lá, é uma forma de eu me absolver a mim mesmo de meu sentimento de culpa por não estar por lá.

Meu velho sofreu. Muito.

Foi ao Brasil quando tinha 10 anos de idade, sem saber falar 1 palavra em português. Cresceu em uma cidadezinha pequena, chamada Bastos, carpindo, lavrando, suando debaixo de sol quente para tirar o sustento de cada dia, pois era o filho homem mais velho da família Umakakeba.

Já na vida adulta, fez fama. Exemplo de sabedoria e de caráter lapidados pelo suor e pelo sol, é um dos sensei's mais respeitados do Brasil, não só pela quantidade de frutos que produziu, mas também pela sua doutrina rígida e pela sua humildade, pois simplesmente despreza o orgulho egoísta. Uma cena que marca muito seu temperamento foi quando um de seus alunos, que sagrou-se campeão em uma competição internacional, voltou ao treinamento com o ego inchado, erroneamente achando que merecia descansar enquanto todos os seus companheiros treinavam duro. Infeliz foi o campeão, pois um tapa foi assentado em seu rosto e palavras duras sobre humildade desferidas contra seu ego, fazendo com que corresse para casa para pegar o kimono e adentrasse o tatami. Rígido, talvez até ríspido, mas não tolerava esse tipo de atitude, não permitia que ninguém se sentisse superior a ninguém de seus companheiros.

Seus valores éticos e morais, sempre seguidos à risca. Lembro-me ainda criança, que nunca o entendi direito. Tomava broncas, sermões, sovas e nunca tive um tratamento especial dentro do tatami. Ele era justo, eu não tinha privilégios por ser seu filho...talvez porque todos que estavam ali dentro eram como filhos para ele. É um homem de grande coração.

Se preocupava em não somente nos educar fisicamente, mas espiritualmente e socialmente também. Para ele, o judô não é apenas um esporte, mas um estilo de vida, que eu acho que muitos dos que passaram por lá aprenderam o quão importante é saber fazer sua própria parte para sociedade. Dedicava 1 treino da semana para nos ensinar valores éticos e nos contemplar com exemplos vivos de campeões, que nos ajudou sempre a sonhar mais alto. Ele cuidou da próxima geração que crescia ali. Não ligou para ver os resultados, pois sabia que a semente estava plantada e isso bastava. É um homem realizado.

Devo a ele tudo, simplesmente tudo, do que sou hoje. Meus valores, meus caprichos, meus sonhos. Ele tornou tudo isso possível pois dedicou, sem ser explícito, a sua vida inteira para me passar esse exemplo pessoal. Me ensinou com gestos, o que milhões de palavras não descreveriam sequer a mínima parte do sentido da vida que começo a entender. Suportou suas dores em silêncio, para que eu não precisasse me preocupar em voar alto, apoiando-me em qualquer decisão que eu tomasse. Mesmo hoje em dia. Guiou-me quando eu estava com medo do escuro, fortaleceu-me quando eu me senti fraco, acalmou-me quando eu esbravejava, confuso com seus ensinamentos rígidos. Batalhou, lutou, enfrentou uma vida inteira de adversidades para me dar o que um pai pode dar de melhor para um filho: seu próprio sacrifício. Quando perguntei a ele se ele gostaria que eu continuasse o sonho dele, o judô, olhou fixamente para mim e disse: "siga seu sonho, siga sua vida pois eu já realizei a minha, que são vocês".

É com lágrimas de saudade e gratidão que eu hoje entendo a força de seu amor, dedicação e exemplo. Espero ser tão forte quanto ele, quando eu crescer.

Obrigado, pai.

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sábado, 9 de agosto de 2008

Olhaí, foi só falar!

Uma reportagem da BBC tem como título: "Coma canguru pra salvar o planeta" (tradução livre)!

O motivo?

Um cientista australiano diz que arrotos e peidos de carneiros e vacas são contribuintes de peso para o aquecimento global (ele ainda não conhece meu colega: a bixa-velha, vulgo Flávio). Portanto, na lógica dele, se todos consumissem mais a carne do macrópode, a emissão diminuiria drasticamente, pois fazendas inteiras de vacas e carneiros seriam substituídas por cangurus...

Mas, por que cangurus?

É porque o sistema digestivo de tais marsupiais é diferente dos quadrúpedes e não produz metano, virtualmente (sei lá o que o cientista quer dizer com esse "virtualmente"), devido a diferentes tipos de microorganismos vivendo em seus sistemas digestivos.

O problema é que eu imagino que a aceitação seria um pouco difícil, visto que a carne é até um pouco exótica. Fora que já é uma peste aqui na Austrália, o governo está tendo problemas em conter a procriação do mamífero, que invade propriedades, devasta plantações...mais ou menos o que o MST faz no Brasil.
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Finalmente: o canguru!

Esse post é pra me deixarem em paz em homenagem a todos que viviam me cobrando as fotos do mascote-estimação daqui.

Visitando hoje o Featherdale Wildlife Park, tive a oportunidade de voltar à infância e conhecer o famigerado animal...na verdade eu queria mesmo era conhecer o Taz, mas ele tirava a sesta quando cheguei em sua "toca".

O zoológico fica a 40~50 minutos de carro daqui de casa, longe até. Contudo, valeu muito a pena, pois os bixos não ficavam todos enjaulados (pelo menos os que não eram agressivos), melhorando a interação com os humanos por ali. Vou analisar pela perspectiva do turista e não do defensor-dos-direitos-dos-animais-selvagens-e-coitadinhos-da-natureza.

Logo que chegamos, pagamos 16 doletas cada um pra entrar, que é o valor que fazem pra estudantes (20 por adulto). De resto, foi bem roteiro de visita ecológica: andar, ver animais, alimentar alguns, fotografar outros e o de sempre. Infelizmente não aconteceu nada pitoresco pra deixar registrado aqui hoje, somente minha lembrança de que foi bem legal. Confiram as fotos!

Caipira é soda, todo mundo alimentando os bixinhos. Só imagina, se todo visitante caipira faz isso, os bixos devem estar com problemas de obesidade também!


Bicharada toda solta no parque, caminhando naturalmente, como se nada estivesse acontecendo.


Pelicano: parece de mentira.


Esse aqui merece comment especial: migué até o osso! Fala sério, TODO MUNDO que passava por lá (inclusive esse que vos fala), ficava no "Ahhh...", "Cute, cute!" e o cacete a quatro, tirando fotos, cutucando, balançando o tronco do pobre maldito...mas a criatura mal se abalava! Continuava seu sono, tranqüilo, em paz...


A Emma (australiana) alimentando uma ema.


Pavão albino, badass...

Tirei fotos também de wombats e outros animais como canguru branco, lobo branco e outros bichos estranhos...infelizmente não ficaram tão boas, então nem vou publicá-las. Na verdade fiquei também devendo a do crocodilo e a do demônio da Tasmânia, pois os dois estavam depressivos, solitários, sei lá...nem me empolguei muito pra tirar foto deles. Ah, falta o ornitorrinco também, mas esse não tinha lá!

Visitem meu álbum no Picasa também, por aqui ou clicando na fotinho ali do lado, na coluna da esquerda. Atualizo sempre e tem 2 ou 3 fotos a mais desse parque que visitei hoje. Pra fechar com chave de ouro, se liguem no penteado da galinha!

Essas só faltavam cantar "Fio de Cabelo" pra ficarem iguais a esses caras.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O que a Austrália come?

Entre outras coisas que compunham minha listinha mental de motivações pré-viagem, estava a culinária a ser descoberta, pois sempre que ia ao Outback Steak House, ficava a imaginar se era aquilo mesmo que os Aussies comiam. Dizem as más línguas que a franquia é americana, por isso a similaridade dos pratos consumidos em seus estabelecimentos, colocando um ponto de interrogação maior ainda em cima da minha cabeça.

Confesso que não é uma carne muito chamativa e nem convidativa pela aparência, mas é boa! É carne de canguru temperada com alho e ervas, com apenas 2% de gordura e acima de tudo faz bem pro meio ambiente! Fantástico, não?!


Muito embora seja um país de colonização inglesa, a cidade me lembra muito São Paulo nesse quesito: tem de tudo um pouco. É uma mistureba de culinárias, com pratos das mais diversas nacionalidades possíveis! Tem desde pratos chineses a indianos, com direito até a uma pitada de brasileirisse no meio (tá, confesso que tudo isso foi redundante, pois Sydney é sinônimo de brasileiro, chinês e indiano). Mas não foi isso que vim procurar, vamos ao que interessa.

Carne de carneiro: sim, tem bastante e tem gosto de carne de carneiro. Ixcruzivi, acabei de mandar um marinated lamb com ervas agora na janta, demais.

Carne de canguru: sim, existe e é realmente boa. Diferente, macia, cheiro típico (muito embora nunca cheirei um canguru vivo - não me venham com piadinhas infames, por favor). Pra mim que sou brazuca, isso é iguaria que só poderei comer por essas bandas.

Frutos do mar: sim, são frutos do mar. Aqui eles comem muito calamari com batata frita, acho que são lulas empanadas.

A maioria dos pratos aqui são acompanhados de saladas e/ou batata frita, fazendo com que você sempre fique na dúvida de escolher o caminho da luz ou das trevas.

Como já esclarecido, a culinária do Sudeste Asiático, da Índia e da Europa (parece que brota da terra - brasileiro também, mas sua culinária não é tão forte aqui), principalmente Itália, são marcantes nessa cidade. Só pra se ter uma noção do intercâmbio gastronômico: mandei hoje um Spicy Seafood Noodle Soup na hora do almoço, que só Deus sabe o que tem dentro, de um restaurante que parecia ser japonês mas que tenho quase certeza de que os funcionários gritavam em coreano entre eles; e no foodcourt do shopping onde trabalho, tem um frango parmigiana quase imbatível, que só perde pro da minha mãe.

De resto é tudo igual, só me falta mesmo é o arroz-feijão...feijoada...churrasco...farofa...acho que vou entrar em depressão.

Leia também:
Que fome!

p.s.: vira e mexe adiciono mais posts e assuntos relacionados à comida/vida daqui, vale a pena acompanhar pela curiosidade.
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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Terra e Mog - FFVI

Eu não ia postar nada hoje, visto que ultimamente tenho postado mais sobre assuntos off-topic do que conteúdo relativo ao tema deste blog. Mas acho que no final dá na mesma, pois é meu "diário" e, de uma forma ou de outra, acaba refletindo tudo que acontece comigo durante esse tempo.

Na verdade só estou continuando os desenhos que gosto de fazer para passar o tempo. Com esse não foi diferente, desenhado em canson, lapiseira 0.5 2B, digitalizado com minha câmera digital (sim, tirei uma foto de novo - eu até compraria um tablet e um software decente, mas tô sem a bala na agulha ainda). Infelizmente (ou felizmente), não tive saco nem talento pra colorir, então vai assim mesmo.


Não sei se é bom ou ruim, mas estou fazendo tantos projetos paralelos para quando voltar ao Brasil...montar uma banda (sim, às vezes finjo ser tocador), escrever um livro/virar escritor (ou simplesmente continuar com esse blog), produzir um mangá online (cara, nem que seja só um episódio único), curso de culinária, sommelier, fotografia! (nota: por favor, reparem na minha habilidade de me focar num único assunto. Pareço que vou prestar vestibular de novo! Matemática Pura ou Direito? Nah, vai farmácia mesmo!)

Sei que não vou fazer tudo, preciso priorizar. Mas acho que no fundo mesmo, gostaria de fazer algo relacionado com audio-visual, tipo um produtor de curtas e animações. Contudo, só de pensar na trabalheira que dá, dá-me uma canseeeeeeeeiraaa...
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Férias

É como estou me sentindo no momento. Imagine que você não precisa mais trabalhar todos os dias da semana, apenas faz o que gosta, sem compromissos.

O tempo restante, você dedica a outras atividades: fotografia, leitura, escrita, filmes, música, artes, internet...sem compromissos também, pois são hobbies e assim devem continuar.

Uma parte da pergunta para qual a resposta vim procurar, acho que pode ser respondida, pois tive tempo de sobra para refletir nessas férias estendidas. Será que é preciso correr tanto assim pra ser feliz?

Realmente o mundo de hoje se encontra num caos rítmico, onde tudo deveria ser pra ontem, onde tudo se resolve em stress sem motivos, num rush de enlouquecer. Para ilustrar, vou descrever mais ou menos como era um dia normal e típico da minha vida.

Acordava às 6:30, me arrumava e saía correndo pro trabalho. Lá então tomava meu desjejum matinal, já que logo de manhã não conseguia tempo, pois estava preocupado demais em chegar no ponto do fretado no horário estipulado.

Dentro do escritório, a paranóia continuava, pois dificilmente sobrava um tempinho livre pra conversar e descontrair um pouco. Eram telefones tocando o dia inteiro, chefes pedindo relatórios e atas de reuniões, pepinos que nos apareciam de última hora, além das atividades e projetos em andamento que cada um deveria cuidar. Não estou reclamando, de forma alguma, apenas relatando o quão puxado um dia pode ser para um ser humano. Aliás, gostaria de agradecer aos meus mentores, enquanto pude fazer parte da vida deles, por mais efêmera que tenha sido: aprendi muito e, conseqüentemente, devo muito.

Voltando ao tópico, a hora do almoço era resumida em mais ou menos 45 minutos, nos quais eu tentava aproveitar o máximo de cada bocada, afinal hora de refeição é sagrada! Mesmo assim, sempre estava com a cabeça no trabalho, pensando nos problemas que teria que resolver uma vez que saísse do restaurante, rumo ao trabalho. Isto é, isso quando conseguíamos tempo para sair e almoçar, pois normalmente fazíamos horários alternativos de almoço, ou pedíamos no delivery mesmo.

No fim do dia, quando conseguia sair no horário normal (muitas vezes saía de lá não antes das 6, visto o volume de trabalho), enfrentava até 2 horas de trânsito pra chegar em casa, que era a parte do dia que me irritava mais, de longe. Foi quando me ocorreu a pergunta: será que isso tudo vale a pena?

Minha carreira era muito boa e minha situação financeira era bem confortável. Tinha meu próprio cantinho, pagava minhas contas em dia, mas...não conseguia aproveitar, me sentir vivo! Era como se estivesse fazendo parte da grande roda do mundo, mas perdendo minha individualidade, perdendo o sentido de trabalhar feito louco tentando agregar valor pra se tentar aproveitar melhor a vida (o qual não conseguia fazer, por falta de tempo).

Quais são suas motivações para a vida?

As minhas, quando criança, eram simples: ser feliz, talvez até um cientista maluco desenvolvendo maquinários revolucionários para a humanidade.

Com o passar do tempo, comecei a perceber que não é tão simples assim, precisaria de uma companheira, um emprego e dinheiro, pra conseguir fazer tudo que gostaria. Comecei a me interessar por outros assuntos também, como artes, música, cinema, leitura (muito embora não tenha lido tanto quanto gostaria), entre outros e, no ápice da minha ingenuidade, decidi que trabalharia bastante pra financiar as atividades que muito me aprazem.

Contudo, quando efetivamente tangenciando meus objetivos, percebi que não é bem assim que a banda toca. Eu trabalhava feito um camelo, conseguia bastante dinheiro, mas não aproveitava o tempo restante e nem conseguia pôr em dia as atividades acima citadas. Descobri, que nada daquilo que eu fazia iria me proporcionar o tempo que eu precisava, pois infelizmente eu havia perdido o foco das minhas prioridades, nesse mundo que parece que gira mais rápido a cada dia que passa.

Só pra finalizar...

Vivemos num mundo onde o prazer e a satisfação instantâneos deixaram de ser privilégios e passaram a ser necessidades. Quantas vezes não ficamos estressados por motivo nenhum no trânsito, sempre buzinando ou xingando a pessoa que está à frente ou, quantas vezes não apertamos os botões do elevador na esperança de que ele nos leve mais rápido ao nosso destino? Precisamos frear um pouco, nos aquietar e prestar mais atenção ao que realmente dá sentido à vida, às nossas prioridades, o que nos faz feliz e sentir vivos.

Eu realmente estava precisando desse tempo e não, eu não preciso correr tanto assim pra ser feliz.

A primeira foto foi tirada por minha namorada.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Efedrina e emagrecimento

Aqui na Austrália e, acho que em todo lugar do mundo atual, as pessoas tendem a cuidar muito mais da aparência do que o bem-estar, sempre insatisfeitas com suas medidas, cada vez mais submetendo-se à longas e extenuantes sessões de "academia", não raras as vezes fazendo uso massivo de suplementos (isso sem mencionar os que entram pra faca).

De forma alguma, condeno a atividade física ou o bem-estar pessoal, desde que seja saudável. Motivação e auto-satisfação são importantes também, mas não adianta se sentir bonitão se você está definitivamente abusando de sua saúde.

Digo isso pois ontem, meu gerente (que é um dos que freqüentam piamente a academia) sabendo que eu era um semi-farmacêutico, perguntou-me dos efeitos da efedrina, comentando sobre emagrecimento. Dessa forma, trarei algumas características relevantes sobre a droga, sem entrar em detalhes técnicos de sua estrutura nem sua farmacologia, indo direto ao ponto que realmente interessa: afinal, funciona pra emagrecer?!

Funcionar...funciona, mas precisa ser muito bem administrado, com supervisão intensa e constante de um médico de confiança. Particularmente, não o utilizaria pra essa finalidade, pois além de ser magro, conheço suas propriedades bioquímicas e não quero isso pra mim. Vou tentar explicar a razão.

1. Fazendo um rápido briefing do ponto de vista legislativo, existem medicamentos registrados à base de efedrina e sais derivados, que podem ser comercializados com apresentação (mas sem retenção) da receita médica. São sujeitos a controle especial pela legislação (portaria 344/98 - do tempo que a ANVISA ainda "era" a Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) e, teoricamente, são rigorosamente vigiados. Não sei da parte fiscal, mas regulatoriamente, é relativamente mais trabalhoso (em panos limpos) se registrar um medicamento assim, hoje em dia.

2. Adicionando um pouco mais de ilustração à seriedade do assunto, vamos analisar os prós e contras do uso deliberado da droga:

Efeitos do ativo interessantes para a perda de peso: perda de apetite, metabolismo acelerado.

Efeitos colaterais que ninguém quer ter: irritabilidade, insônia, gastrite, refluxo de suco gástrico, hipertensão, nervosismo, ansiedade, broncodilatação, dor de cabeça, agitação, DEPENDÊNCIA.

Pois é gente, é uma droga e ela vicia. Reparem também que ela possui uma atividade estimulante do sistema nervoso central (SNC), "melhorando" a performance do ser humano a curto prazo, aumentando a tolerância à fadiga, os níveis de concentração e o estado de alerta, ajudando-os a sempre ir além. Literalmente, pois a droga pode matar por ataque cardíaco, como conseqüência de seu uso a longo prazo. Existem muitos estudantes, atletas e profissionais que a utilizam sem saber desses efeitos colaterais, "encantados" com os efeitos supostamente benéficos da substância.

3. Ainda, existe o perigo das associações medicamentosas (quando você está tomando um remédio e não sabe se pode tomar o outro junto, pois pode te fazer mal): não utilizar juntamente com certos anti-depressivos (os que inibem a recaptura de noradrenalina, especificamente) e outros estimulantes, como cafeína (meu gerente tomou café enquanto usava efedrina e não dormiu por 3 dias). O motivo é a potencialização dos efeitos adversos da droga, quando em associação com os produtos citados. Também é contra indicado para pessoas com comprometimento renal e lactantes, como deveria ser com qualquer outra droga.

4. Mais alguns outros dados (disse que não gostaria de entrar em detalhes, mas me empolguei): ela demora cerca de 3 a 6 horas para 50% do total da droga "sair" do corpo (é uma curva logarítmica, então não adianta multiplicar as horas por 2 pra se obter 100% clear e nem se integrar a curva, pois o modelo farmacodinâmico de clearance pode ser de mais de 2 compartimentos blá blá blá...). Sem mencionar que, de uma maneira geral, cada indivíduo responde diferentemente para cada tipo de medicamento, qualitativamente e quantitativamente, fazendo com que as respostas aos efeitos e reações adversas variem de pessoa para pessoa, dificultando a previsibilidade dos sintomas.



O problema é que como todo estimulante, a droga te "faz sentir bem", sempre pronto pra próxima, enquanto na verdade o "cansaço" é o seu corpo pedindo por repouso. Respeite a você mesmo, você tem limites e também precisa de descanso!

Se você mesmo não se respeita, como quer conseguir respeito de outras pessoas através de sua aparência externa?

O que quero dizer aqui é que, a efedrina utilizada em excesso E para o emagrecimento, é um daqueles riscos que não valem a pena correr pois há muito mais a se perder do que a se ganhar. Ainda mais por existirem outros meios mais seguros e eficazes de se atingir esse suposto "benefício" (a perda de peso e a satisfação pessoal): evite comprar revistas de moda/fofoca/tendências exibindo corpos que a mídia diz serem belos e esculturais; se comprar, faça uma dieta balanceada com exercícios físicos moderados e constantes pra tentar não fazer feio; e, se não funcionar, recobre um pouco sua auto-estima, amor próprio e bom senso, sem distorcer a imagem que você tem de você mesmo (pra melhor ou pra pior), ou vai acabar como esse cara aqui...
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