Continuando a saga, tentarei descrever o segundo dia da viagem.
Mas antes disso, um pequeno parênteses: pra quem está pensando em praticar Snowboard, pára de pensar e vai logo! Vale muito, mas muito, a pena.Café da manhã:
Gordo my ass. O café era O-B-E-S-O:-ovo mexido;
-bacon;
-linguiça;
-torrada (só pra não fazer feio);
-um nugget de batata gigante que eu não sei o nome, frito;
-tomate cozido;
-feijão doce;
-cereais e leite;
Logo que vi, achei que seria pesado demais, contudo lembrei que seria frio e eu precisaria de grandes reservas energéticas, ajudando-me na conclusão - oh, what the hell!
Saímos da pousada pouco depois das 8, enfrentamos trânsito e chegamos ao local dos sonhos cerca de 1 hora depois.A montanha:
Haveriam algumas aulas para iniciantes, mas já havíamos perdido a primeira turma. A segunda começaria em 1 hora mais ou menos e, realmente, não poderíamos ficar simplesmente coçando, sem nada para fazer. O engraçado é que tivemos muitas conclusões brilhantes durante o FDS inteiro e essa foi outra delas: vamos aprender a andar na raça!
Nossa primeira idéia de girico, foi de tentar subir no primeiro lift que avistamos, afinal de contas estava escrito EASY DOES IT, não podia ser tão difícil assim. Marchamos determinados a enfrentar a primeira grande descida da nossa vida, desengonçados, mal nos equilibrando sobre a prancha. Então, fomos abordados pelo instrutor que ficava à porta do elevador:Instrutor: You guys goin'up?
Desanimados, entreolhamo-nos e contentamo-nos com a idéia de uma rampinha menor (que se mostrou estupidamente difícil, pra começo de conversa). Contudo, notamos a falta de alguém: nix, havia pulado o segurança e foi-se embora sozinho morro acima! "Tudo bem", pensamos, "ele anda de skate, deve saber se virar com facilidade", enquanto caminhávamos em direção ao pequeno morro.
Nós: ? Yeah, I think so...
Instrutor: Have you done it before?
Nós: No, not really...?
Instrutor: Then don't do it, you're gonna kill yourself!
Nós: ...!
Já alinhados na boca da descida, preparei-me ajeitando os equipamentos, respirei fundo e tentei me levantar. Sem sucesso, pois já tomei meu primeiro tombo logo ali. "Tudo bem, isso não foi nada, é só uma questão de equilíbrio" pensei. Levantei de novo, com cautela pra me equilibrar e, voilà, comecei a deslizar.
"Opa, legal, estou praticando isnouboardi! Mãe, olha pra mim! ... ... mas...como é que pára?!" Desespero. Acho que foi a única coisa que passou pela minha cabeça naqueles segundos que me separaram do primeiro grande tombo. E foi feio. Humilhante no mínimo. Eu acho que nunca agradeci tanto ao meu pai por ter me ensinado (ou tentado) judô durante 14 anos da minha vida, permitindo-me sair praticamente ileso daquelas quatro voltas que eu dei na neve. Orgulho ferido? Tudo bem, vamos lá de novo!
Tristemente, a situação se repetiu até o final da rampa (incríveis 50 metros ou algo assim, quase sem inclinação nenhuma). Entre tombos e rolamentos, percebi o mico que eu estava pagando, pois criancinhas de 5 anos passavam ao meu lado, deslizando na maior naturalidade, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Era possível perceber a indagação naqueles rostinhos pequenos, ao olhar pra nós, "que tio mais pateta!" ou "tio, precisa praticar mais!" ou "esse tio é engraçado demais!"...infelizmente na minha só martelava: "Mano que raiva..." (orgulho ferido2).
Repetimos essa idiotice algumas vezes, até reencontrarmos o nix, que já trazia a primeira seqüela da aventura: um beiço machucado, do EASY DOES IT.O curso:
Depois de pelo menos umas 30 quedas de 360o/720o/1080o perfeitos, resolvemos procurar instruções, pois daquele jeito não ia. Acho que foi a única coisa mais sensata do dia, pois pelo menos aprendi a frear, evitando colisões e outros acidentes.
Aprendemos como se chamam as partes da prancha (que eu já esqueci a maioria), como nos equilibrar propriamente, ir pra frente, alternar entre nose e tail, e o mais importante, como parar. As curvas ficariam para a segunda aula, mas não a fizemos, por motiv...sem motivos.
Tivemos uma pequena pausa para o almoço, um hot-dog com batata-frita por 8 doletas e um similar ao Gatorade, o Powerade, por 4 e 50.
Animados, logo voltamos às quedas e já no fim do primeiro dia, o EASY DOES IT realmente começou a fazer mais jus ao nome. Não significa que já estávamos belos e formosos, fazendo manobras e curvas como pessoas decentes, mas pelo menos a quantidade de tombo por metro deslizado havia diminuído bastante.
Voltamos ao alojamento exaustos. Não parece, mas cansa muito, exige muito condicionamento físico, coisa que eu não sei o que é faz mais de 6 anos...Outra coisa que eu havia percebido só quando voltei ao alojamento, meu rosto estava todo queimado de sol e do frio!
Jantei, banhei e fui pra balada da pousada.A balada:
Balada é balada: música alta, gente animada...só o preço das bebidas que não era muito simpático.Cerveja (caneco): AUD 4.50
Whisky + Red Bull (copo): AUD 7.80
Tequila (dose): AUD 6.00
Mas as bebidas legais mesmo da noite foram os Ski-Shots e o Jägerbomb.
O primeiro, é um licor que eu acho que é Apple Schnapps servido em um pé de esqui, com pequenos furos para segurar 4 copos. E havia um desafio também! 4 pessoas deveriam tomar do mesmo esqui (cada um no seu copo, lógico), mas só as pessoas da ponta estavam permitidas a usar 1 das mãos! Então pensa: 2 mãos e 4 cabeças. O resultado é hilário. O licor? Ele é bem doce, lembra um pouco Amarula, melhor em minha opinião.
O segundo, era Red Bull com Jägermeister. Vou adicionar um vídeo depois para explicar melhor o que tinha de bom nesse drink. O gosto? Lembrava Bubbaloo, sabor tutti-frutti.
Fim de noite, capotei eram quase 2 da manhã, pra acordar novamente às 7 do dia seguinte...
[Continua...]
Leia também:
Thredbo - parte I
Thredbo - parte III
Nostalgia de Natal
3 dias atrás



1 comentários:
Ri d+ imaginando as cenas.
Eu lembro qdo fui pra S. Roque nakela pista fake.. tb tomei tanto tombo.. e olha q dizem q o tapete é mais fácil q a neve propriamente dita.
Nakela época eu tava treinando wushu ainda. Hj em dia, sedentária³, nem posso pensar nisso.
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