É como estou me sentindo no momento. Imagine que você não precisa mais trabalhar todos os dias da semana, apenas faz o que gosta, sem compromissos.
O tempo restante, você dedica a outras atividades: fotografia, leitura, escrita, filmes, música, artes, internet...sem compromissos também, pois são hobbies e assim devem continuar.
Uma parte da pergunta para qual a resposta vim procurar, acho que pode ser respondida, pois tive tempo de sobra para refletir nessas férias estendidas. Será que é preciso correr tanto assim pra ser feliz?
Realmente o mundo de hoje se encontra num caos rítmico, onde tudo deveria ser pra ontem, onde tudo se resolve em stress sem motivos, num rush de enlouquecer. Para ilustrar, vou descrever mais ou menos como era um dia normal e típico da minha vida.
Acordava às 6:30, me arrumava e saía correndo pro trabalho. Lá então tomava meu desjejum matinal, já que logo de manhã não conseguia tempo, pois estava preocupado demais em chegar no ponto do fretado no horário estipulado.
Dentro do escritório, a paranóia continuava, pois dificilmente sobrava um tempinho livre pra conversar e descontrair um pouco. Eram telefones tocando o dia inteiro, chefes pedindo relatórios e atas de reuniões, pepinos que nos apareciam de última hora, além das atividades e projetos em andamento que cada um deveria cuidar. Não estou reclamando, de forma alguma, apenas relatando o quão puxado um dia pode ser para um ser humano. Aliás, gostaria de agradecer aos meus mentores, enquanto pude fazer parte da vida deles, por mais efêmera que tenha sido: aprendi muito e, conseqüentemente, devo muito.
Voltando ao tópico, a hora do almoço era resumida em mais ou menos 45 minutos, nos quais eu tentava aproveitar o máximo de cada bocada, afinal hora de refeição é sagrada! Mesmo assim, sempre estava com a cabeça no trabalho, pensando nos problemas que teria que resolver uma vez que saísse do restaurante, rumo ao trabalho. Isto é, isso quando conseguíamos tempo para sair e almoçar, pois normalmente fazíamos horários alternativos de almoço, ou pedíamos no delivery mesmo.
No fim do dia, quando conseguia sair no horário normal (muitas vezes saía de lá não antes das 6, visto o volume de trabalho), enfrentava até 2 horas de trânsito pra chegar em casa, que era a parte do dia que me irritava mais, de longe. Foi quando me ocorreu a pergunta: será que isso tudo vale a pena?
Minha carreira era muito boa e minha situação financeira era bem confortável. Tinha meu próprio cantinho, pagava minhas contas em dia, mas...não conseguia aproveitar, me sentir vivo! Era como se estivesse fazendo parte da grande roda do mundo, mas perdendo minha individualidade, perdendo o sentido de trabalhar feito louco tentando agregar valor pra se tentar aproveitar melhor a vida (o qual não conseguia fazer, por falta de tempo).
Quais são suas motivações para a vida?
As minhas, quando criança, eram simples: ser feliz, talvez até um cientista maluco desenvolvendo maquinários revolucionários para a humanidade.
Com o passar do tempo, comecei a perceber que não é tão simples assim, precisaria de uma companheira, um emprego e dinheiro, pra conseguir fazer tudo que gostaria. Comecei a me interessar por outros assuntos também, como artes, música, cinema, leitura (muito embora não tenha lido tanto quanto gostaria), entre outros e, no ápice da minha ingenuidade, decidi que trabalharia bastante pra financiar as atividades que muito me aprazem.
Contudo, quando efetivamente tangenciando meus objetivos, percebi que não é bem assim que a banda toca. Eu trabalhava feito um camelo, conseguia bastante dinheiro, mas não aproveitava o tempo restante e nem conseguia pôr em dia as atividades acima citadas. Descobri, que nada daquilo que eu fazia iria me proporcionar o tempo que eu precisava, pois infelizmente eu havia perdido o foco das minhas prioridades, nesse mundo que parece que gira mais rápido a cada dia que passa.
Só pra finalizar...
Vivemos num mundo onde o prazer e a satisfação instantâneos deixaram de ser privilégios e passaram a ser necessidades. Quantas vezes não ficamos estressados por motivo nenhum no trânsito, sempre buzinando ou xingando a pessoa que está à frente ou, quantas vezes não apertamos os botões do elevador na esperança de que ele nos leve mais rápido ao nosso destino? Precisamos frear um pouco, nos aquietar e prestar mais atenção ao que realmente dá sentido à vida, às nossas prioridades, o que nos faz feliz e sentir vivos.
Eu realmente estava precisando desse tempo e não, eu não preciso correr tanto assim pra ser feliz.
A primeira foto foi tirada por minha namorada.
“Guinada 360º”
2 meses atrás



3 comentários:
Sigh! Equilíbrio ne.
Ei, voltei pro cursinho! E soube q a dupla sertaneja Red e Rodi tb haha!
Eita! Qual o curso que vai prestar? E os deles? Força aí!
Mu...
A partir do momento que saímos de Bastos, a felicidade deixou de ser uma visitante frequente. Será isso ou será q é pq estamos ficando velhos demais? Hahah, abração!
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