domingo, 10 de agosto de 2008

Feliz post 101!

Sei que não tem muito sentido comemorar meu post no 101 (estou 1 post atrasado), mas vai assim mesmo.

Na verdade, eu gostaria de aproveitar esse espaço, que não poderia ter vindo em melhor hora, para agradecer alguém muito especial para mim: pai!

Sei que deve ser meio "brega" e batido fazer esse tipo de homenagem, todo mundo deve fazer, ainda mais no dia dos Pais. Mas, vamos lá, é uma forma de eu me absolver a mim mesmo de meu sentimento de culpa por não estar por lá.

Meu velho sofreu. Muito.

Foi ao Brasil quando tinha 10 anos de idade, sem saber falar 1 palavra em português. Cresceu em uma cidadezinha pequena, chamada Bastos, carpindo, lavrando, suando debaixo de sol quente para tirar o sustento de cada dia, pois era o filho homem mais velho da família Umakakeba.

Já na vida adulta, fez fama. Exemplo de sabedoria e de caráter lapidados pelo suor e pelo sol, é um dos sensei's mais respeitados do Brasil, não só pela quantidade de frutos que produziu, mas também pela sua doutrina rígida e pela sua humildade, pois simplesmente despreza o orgulho egoísta. Uma cena que marca muito seu temperamento foi quando um de seus alunos, que sagrou-se campeão em uma competição internacional, voltou ao treinamento com o ego inchado, erroneamente achando que merecia descansar enquanto todos os seus companheiros treinavam duro. Infeliz foi o campeão, pois um tapa foi assentado em seu rosto e palavras duras sobre humildade desferidas contra seu ego, fazendo com que corresse para casa para pegar o kimono e adentrasse o tatami. Rígido, talvez até ríspido, mas não tolerava esse tipo de atitude, não permitia que ninguém se sentisse superior a ninguém de seus companheiros.

Seus valores éticos e morais, sempre seguidos à risca. Lembro-me ainda criança, que nunca o entendi direito. Tomava broncas, sermões, sovas e nunca tive um tratamento especial dentro do tatami. Ele era justo, eu não tinha privilégios por ser seu filho...talvez porque todos que estavam ali dentro eram como filhos para ele. É um homem de grande coração.

Se preocupava em não somente nos educar fisicamente, mas espiritualmente e socialmente também. Para ele, o judô não é apenas um esporte, mas um estilo de vida, que eu acho que muitos dos que passaram por lá aprenderam o quão importante é saber fazer sua própria parte para sociedade. Dedicava 1 treino da semana para nos ensinar valores éticos e nos contemplar com exemplos vivos de campeões, que nos ajudou sempre a sonhar mais alto. Ele cuidou da próxima geração que crescia ali. Não ligou para ver os resultados, pois sabia que a semente estava plantada e isso bastava. É um homem realizado.

Devo a ele tudo, simplesmente tudo, do que sou hoje. Meus valores, meus caprichos, meus sonhos. Ele tornou tudo isso possível pois dedicou, sem ser explícito, a sua vida inteira para me passar esse exemplo pessoal. Me ensinou com gestos, o que milhões de palavras não descreveriam sequer a mínima parte do sentido da vida que começo a entender. Suportou suas dores em silêncio, para que eu não precisasse me preocupar em voar alto, apoiando-me em qualquer decisão que eu tomasse. Mesmo hoje em dia. Guiou-me quando eu estava com medo do escuro, fortaleceu-me quando eu me senti fraco, acalmou-me quando eu esbravejava, confuso com seus ensinamentos rígidos. Batalhou, lutou, enfrentou uma vida inteira de adversidades para me dar o que um pai pode dar de melhor para um filho: seu próprio sacrifício. Quando perguntei a ele se ele gostaria que eu continuasse o sonho dele, o judô, olhou fixamente para mim e disse: "siga seu sonho, siga sua vida pois eu já realizei a minha, que são vocês".

É com lágrimas de saudade e gratidão que eu hoje entendo a força de seu amor, dedicação e exemplo. Espero ser tão forte quanto ele, quando eu crescer.

Obrigado, pai.

2 comentários:

redboltrula disse...

Putz meu, como me arrependo de ter parado com o judô, quando tava pra passar pra faixa azul uns dedos do pé(lol,sad), fiquei muito tempo com o pé engessado e acabei perdendo o interesse, era muito moleque...

Btw, belo texto.

iri disse...

Sempre fiquei encafifada pensando o q o seu pai achava dos caminhos q vc e o Te escolheram. Nunca imaginei q ele diria isso... me emocionou!