Na, na-...antes que me perguntem, não aconteceu nada demais, não fui viajar, não voltei ao Brasil ainda. Simplesmente tirei férias disso aqui, não agüentava mais minha retórica enfadonha.
Da qual, dia desses, tomado por uma vontade indescritível de torcer meus dedos até que falassem, saiu um texto meio doido...com vocês, diarréia mental.Terça-feira, 10 de Julho de 2007
Estranhamente, muito se passou desde que escrevia eu textos para satisfação própria de uma necessidade descontinuada e incompreendida por mim mesmo. Simplesmente, por odiar minha própria retórica e por ser um péssimo contador de histórias e de seus derivados! Mas me deu hoje uma vontade sem vergonha de escrever! Não sei se isso vai durar, mas vai ser ruim enquanto durar.
Pensamentos? Muitos.
Não sei se vale a pena continuar a aprender o que eu não tenho certeza se vou usar, não sei se continuo a construir algo que vou destruir em menos tempo ainda. Bem à verdade, até arrisco a resposta, mas não aceito. O impossível é simples quando tantas variáveis cruzam seu caminho e te deixam vulnerável a ponto de achar que a sabedoria, às vezes, te faz perder tempo.
Por hoje, limito-me a este desabafo rápido e não prometo voltar. Quem sabe se escreverei de novo, quem nunca sabe.
Hoje, ao som incompreensível e lógico do jazz, balanço meus dedos numa tentativa desesperada de encontrar-me e subjetivar. Será que vai funcionar? Vejamos.
Sofro o grande e comum distúrbio do pensamento confuso, e para que possa redigir de maneira inteligível, tenho que me dedicar à elaboração e organização das idéias mais tempo do que gostaria. A vontade que tenho é escrever tudo que me vem à cabeça, uma diarréia mental (mesmo, porque não teria nada de útil no meio), mas ninguém entenderia! Desisto, dou a desculpa de que escrever é só para gente grande!
É interessante, pois gente grande que escreve e ama a atividade, define os pensamentos como algo subjetivo. Mas, por algum motivo do acaso, destino, kharma, alguém já conseguiu se agarrar em algum pensamento?
Eu já, quando pus na cabeça que quero me expressar novamente através destas falanges tortas, ouvindo uma cantora que mais engana do que canta, exatamente como eu nessa posição de “escrivinhador”: mais engano do que escrevo. Me agarrei à tal idéia que desconfiguro toda as regras da língua portuguesa sem me importar nem um pouco. Essa capacidade de se pendurar em uma idéia, faz do pensamento algo objetivo?
Brincando novamente com as palavras, pensamento e objetivos são elementos que todos possivelmente temos. Uns aos montes, outros mais ainda. Andar de bicicleta, soletrar a maior palavra alemã que existe de trás pra frente, pular sete ondinhas no ano novo, ganhar na mega-sena! Assim podemos afirmar que nossa vida é movida por objetivos a partir de pensamentos, certo?
E quando é que o objetivo vira sonho? Ou os objetivos são sonhos que são tangíveis? Dessa forma podemos afirmar que vivemos dormindo, pois nossa vida será um sonho, independentemente de ser alcançável ou não. Coisa que também não deixa de fazer sentido, pois é bonito viver, é bonito saber viver e não menos feia é a vida.
De mesma maneira, quem acorda, morre? Será que a realidade é tão cruel que só de tomarmos conhecimento dela, morremos? Será que o desgosto é tanto que a depressão nos derruba num só golpe?
Imagino que tal golpe deva ser desferido por realidade de gente grande pois o golpe de uma realidade pueril simplesmente nos faria voltar ao grande sono da vida, ou seja, sonhar de novo, o simples ato de dormir. Isso me faz lembrar de algo, uma cena, alguém cometendo suicídio e descobrindo que aquela realidade era...real. Ele não sabia se estava dormindo, entorpecido pela crueldade da realidade, vivia um sonho ruim. A diferença é que ele já era gente grande.
Enfim! Acho que não consegui me agarrar à nenhum pensamento e concluí-lo, tornando a leitura um pesadelo. É difícil continuar, sem saber se a vida é um sonho, ou o sonho que nos mantém vivos...bom, não importa, a única coisa que sei, é que vou usar o jazz mais vezes, quando não tiver o que escrever sobre gente grande.
Pois é, sem pé nem cabeça, mas taí. Promessa é promessa, não teria como eu fugir disso. Só espero que pelo menos eu volte com um pouco mais de compasso.
Cheers!
“Guinada 360º”
2 meses atrás



4 comentários:
bem,
seja bem-vindo de volta [ao seu próprio blog, diga-se de passagem]!
espero que as próximas pausas para reflexões não demorem tanto. devo dizer que compartilho de algumas coisas q tu mencionou, mu. umas delas é esse lance sobre o que é útil e inútil. mas vou precisar de mais tempo pra ler tudo com calma.
por enquanto fico por aqui dizendo "o jazz é o que há, não é mesmo?". hehe.
De fato o livre arbítrio não existe, somos e somos o fruto do livre viver Divino, assim inventamos a sorte para ter o que discutir entre nós. Mas como diz Clarice Lispector: "não importa a opção, não importa o quanto tempo que voce fique pensando para decidir, no final ela sempre será, e será Divina, ja decidida."
o Agarramento ao pensamento é a parte tola de nós, Deus Conduz online na agulha, e como bons filhos, imagino que simplesmente viver é a chave, não se apegando, imaginando, ou tentando contornar, pois com um estalar ELE muda tudo e vc tem novamente que se planejar, mesmo que seja de mentirinha.
Fernando
Não gosto de pensar que a vida é um teatro com papéis pré-determinados. Acho que o grande lance de eu me sentir vivo é exatamente essa arruaça descontrolada. Estar no controle do sonho da vida, faz-me perder o interesse nela, mas se o sonho é algo inesperado, esse replanejar "de mentirinha" já é o suficiente pra fazer bombear o sangue em minhas veias. Claro, isso se realmente o livre arbítrio for uma ilusão.
Gosto dessa troca de idéia, é dificil encontrar pessoas abertas e sinceras com quem podemos dizer, o que pensamos.
pretendo ir para a Austrália em Set/2009, tem um tempinho até lá. Mas se pudermos trocar ideias "in loco" seria interessante.
Abraços, Tudo de BOm
Fernando
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